
Mas o assunto não é propriamente sobre fogo, mas sobre o decreto que retira as excomunhões dos quatro bispos, D. Fellay, D. Tissier, D. Williamson e D. Galarreta. Após esta decisão de reparar um ato do passado, os meios católicos e não católicos reagiram de plurívocas maneiras. Devido a uma opinião de D. Williamson, veiculada através de entrevista concedida a uma TV sueca em novembro do ano passado, sobre o morticínio de judeus durante o nazismo, a imprensa mundial, em sua maioria patentemente anticatólica, tomou as dores dos eternos judeus perseguidos e encetaram a acusação de que o Papa reabilitara bispo “negacionista”, induzindo a opinião pública a acreditar que o Vigário de Cristo fosse ocultamente um nazista, sem direito às eloqüentes e teatrais paradas militares que ficaram conhecidas universalmente. Sazonalmente é comum fazer a absurda acusação que o Papa foi nazista ou que governa a Igreja como um hitlerista de branco.
Por óbvio, da polêmica declaração do bispo, não se esperava nada diferente dessa reação desmesurada. Essa crítica veio a calhar muito bem para os que não são católicos e não estão muito preocupados com a posição do Papa e da Igreja, pois já superaram a limitação das visões religiosas e vivem seu agnosticismo superficial e festivo. A opinião veiculada pela mídia servirá para que reproduzam suas posições pessoais com mais um enfeite de crítica contra a Igreja: Este Papa é mesmo um truculento nazistóide, autocrático, fundamentalista e etc, etc e etc. Servirá também para que os protestantes fiquem mais protestantes, que os judeus não tão judeus permaneçam na mesma, enfim, a irresponsável e demasiada propagação dessa confusa entrevista, unida a opiniões insensatas, não trouxeram nem farão um bom serviço às almas. Mas respeitemos, todos têm direito à informação assegurado constitucionalmente. Brindemos, pois, as conquistas destes direitos em outra ocasião, o momento é por demais sério para massagearmos o espírito com algum vinho. Ah! Lembrei de um ditado romano, dos antigos romanos, “in vino veritas”, mas o que é a verdade? Pergunta o jornalista e o estudante sabido. Deixemos o vinho, o jornalista e o estudante sabido de vez, voltemos ao assunto.
O que mais chama a atenção, por outro lado, não é o foco gerado pelo bispo Williamson que já escreveu ao Vaticano pedindo desculpas sobre a entrevista, é o efeito dentro da Igreja e a emissão de entrevistas e artigos de sabidos e não sabidos que vicejam no redil católico. Percebem-se opiniões díspares e muitas vezes contraditórias. Se não, vejamos alguns que destaco. O L´OSSERVATORE ROMANO do dia 25 de janeiro de 2009, na pressa de ver conexão entre o espírito do Concílio Vaticano II e a decisão do Papa, em seu editorial diz que o Papa usou “do gesto de misericórdia que deve alentar aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a acatar o Concílio Vaticano II (eles não estão obrigados a acatar o CVII) que após meio século de seu anúncio está vivo na Igreja".*(destaque meu) Ademais, o editorial ainda afirma que esse gesto de misericórdia estaria de acordo com a intenção dos predecessores do Papa Bento, assim como o bondoso João XXIII. Ora, e a decisão de excomungar os quatro sacerdotes na época e também os bispos consagrantes? Essa decisão, em 1988, estava em conformidade com o espírito do Concílio? A confusão do editorial é ridícula... Ou provocadamente desonesta.
Pelo caminho inverso o modernista site francês, Golias, anuncia que “colocando UM CISMA no coração da Igreja Católica, o Papa Bento XVI assumiu uma pesada responsabilidade: a de querer consertar um cisma integrista provocando um outro". A ousadia não pára por aí e ainda sentenciam, “esta decisão constitui um ponto sem retorno na confiança que alguns (quem são esses alguns?) ainda mantinham nos responsáveis (ou no RESPONSÁVEL?) da Igreja. Nesse sentido, Bento XVI, cedendo às pressões dos integristas, engaja de agora em diante a Igreja em uma via de divisão.”** (destaque meu) Como se pode concluir, fica cada vez mais cristalina o ataque dos modernistas à autoridade do atual Papa já antecipando um possível cisma. A informação é preocupante e quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Neste momento não há como esquecer da homilia de Sua Santidade após a sua escolha como timoneiro da Barca de São Pedro. É importante salientar o trecho em que pediu aos fiéis que rezassem para que ele não viesse a fugir das suas responsabilidades, “por receio, diante dos lobos”. Quem são esses lobos que causam tantos receios? O que eles são capazes de fazer contra o Sumo Pontífice? O certo é que Bento vem causando perplexidade nos modernistas de plantão e esses já estão com garras e dentes de fora, prontos para o ataque.
Em entrevista ao jornal La Reppublica de 27-01-2009, o teólogo herege, Hans Küng, entende que “os últimos acontecimentos são um sinal do contínuo enrijecimento do Vaticano, a contínua marcha para trás, a contínua seqüência de passo após passo para trás”.*** (destaque meu) Não é difícil deduzir que fazendo o passo para trás, cheguemos à missa tridentina, tão odiada pela heresia modernista, e que fora praticamente banida após o CVII e gradativamente readmitida pelo Papa nestes últimos dias. A conclusão é lógica, e subtilmente Roma vai refazendo o caminho ao altar supremo, de costas para os urros do povo, ou dos lobos?, e de frente para Deus, como sempre foi. Mesmo com sensíveis mudanças, com posicionamentos simbólicos a reação já é avassaladora e violenta. Entende-se a diplomacia cambaleante que o Papa exprime em relação ao Concílio. Quem tem olhos para ver, veja. O Concílio está sendo bombardeado a conta-gotas. Só uma mente encastelada em si mesmo e orgulhosa não percebe a história que estamos assistindo, suave como a rede de São Pedro, porém forte e resoluta. Seria insano o Papa criticar com veemência o Concílio. Ele o ataca diplomaticamente e o defende protocolarmente, utilizando a letra do Concílio para reconstruir o que fora perdido.
Por fim, rezemos pelo heróico e cambaleante Papa Bento XVI. As reações dos lobos já se fazem violentíssimas. Através do verdadeiro culto, sem máculas nem criatividades, é que Cristo vai reinar. A história indica o “passo para trás”, e sabemos que a Igreja é sempre nova. O passado é tão jovem como o futuro. Nesse momento de penumbras lembremos das palavras do Santo Padre: “O amor é mais forte que o ódio e que o egoísmo mesmo em nosso mundo contemporâneo dirigido pela ideologia materialista do consumo e do divertimento”. Que Nossa Senhora proteja o bispo vestido de branco nesse embate que ganha contornos cada vez mais dramáticos.
Viva o Papa Bento XVI! Salve D. Marcel Lefebvre e D. Mayer!
Antônio Manuel da S. Filho.
Recife-PE. Dia 29/01/2009
* http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15157
** http://golias-editions.fr/spip.php?article2618
*** http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=hans-kung-contra-papa&lang=bra

Nunca houve alguém que amasse a castidade como ela. Seguindo os costumes da Antiga Aliança as mulheres judias tinham muito maior estima pelo privilégio da maternidade, do que o comprometimento com a virgindade. Mas assim não foi com Maria, pois que a partir dela nasceria Aquele que veio para selar a Nova Aliança. E ainda jovem comprometeu-se a esse elevado estado de pureza.
Carta aos Governantes do